sexta-feira, 6 de abril de 2012

Capítulo 4 - Fim?

        - Solte ela! - meu pai gritou, e só pude ver seu rosto e o de minha mãe em prantos.
        - Mais um passo e eu atiro. - o sequestrador falou. Podia imaginar o desespero dos meus pais em não poderem fazer nada pra me ajudar. Eu mesma não conseguia conter os batimentos fortes do meu coração.
        O sequestrador me conduziu, ainda presa na gravata, para o corredor do meu andar, tirando meus pais de vista. Ficamos lá por um tempo, e comecei a tentar analisar a situação. Quantos bandidos haviam dentro do prédio, como os vizinhos reagiram, Poppy... o que será que passava por sua cabeça sem ter notícias minhas. A esse ponto meu celular deveria estar lotado de SMS dela. Não queria que tudo acabasse ali.
        - Não vai ganhar nada me matando, sabe. - tive a não tão brilhante ideia de falar.
        - Calada. - O sequestrador apertou a gravata, tornando mais difícil respirar. Ele soava preocupado, será que alguma ação finalmente estava acontecendo lá fora?
        Passaram-se alguns minutos do meu pensamento quando ouvi um estouro vindo lá de baixo, mas não era de nenhuma arma, e sim de uma bomba. Depois, tudo ocorreu em uma fração de segundo. O barulho ensurdecedor do revólver do sequestrador. A gritaria vinda do térreo. Helicópteros. Passos apressados em minha direção. E meu encontro com o chão.

                                                                        ***

        Estava tudo completamente em silêncio, exceto pelo "pi" repetido que eu não sabia de onde vinha, até associar aos meus batimentos cardíacos. O cheiro do ambiente me deixava enjoada. Estava em um quarto de hospital, pude perceber sem mesmo abrir os olhos. Respirei fundo, minha cabeça doeu um pouco. Ameacei abrir os olhos, mas desisti pela claridade do quarto.
        - Ela está acordando. - minha mãe disse, próxima de mim. Resolvi abrir os olhos de uma vez, afinal a última imagem que tive dos meus pais não era lá agradável.
        - Bom dia, flor do dia. - meu pai se inclinou do outro lado da cama, e não pude evitar um sorriso. Me sentia segura. - Como está se sentindo?
        - Bem, eu acho. - respondi.
        - Graças a Deus, ficamos com tanto medo de te perder naquele dia. - mamãe disse, e não havia nada além de sinceridade na sua voz. Espera. "Naquele dia"?
        - Quanto tempo se passou? - perguntei.
        - Dois dias. Você dormiu igual a uma pedra por causa dos anestésicos. - papai explicou. Ele percebeu minha cara de confusão e acrescentou - Você recebeu um tiro de raspão no braço direito, mas o que realmente te afetou foi a pancada na cabeça. - Ah sim. Como prova do que ele disse, um ponto no meu braço direito ardeu. Olhei pro meu celular em cima de uma mesa, e imediatamente me lembrei de Poppy.
        - Poppy - disse, me levantando rápido o suficiente pra ficar tonta.
        - Ela tem ligado desde a noite do sequestro, mas preferimos deixá-la visitar somente quando você estivesse acordada. Não precisa se preocupar. - mamãe falou, me deitando de volta. Assim que ela terminou a frase, o celular tocou e meu pai atendeu.
        - Sim, ela já acordou. Claro, pode vir.
        Minha mãe ligou a televisão. Mesmo dois dias depois, as imagens do sequestro se repetiam na tela. Me sobressaltei quando me vi, desmaiada, sendo carregada por um bombeiro em meio à confusão. Minha mãe chorava abraçada ao meu pai. Logo depois, o bombeiro me colocou dentro de uma ambulância e fechou as portas. Policiais saíram da portaria do prédio com cinco bandidos presos. Fui interrompida das imagens quando Poppy bateu na porta.
        - Posso entrar? - perguntou ela.
        - Claro. Vamos, Karen. - meu pai desligou a televisão e saiu com a minha mãe, nos deixando a sós.
        - Fiquei com saudade! - Poppy correu até mim mas hesitou em me abraçar. - Você não tem noção do meu medo quando vi seu prédio no noticiário.
        - Não te culpo, eu também estava com medo. - falei, e nós duas rimos. Percebi uma lágrima se formando no canto do seu olho. - Eu estou bem agora, não precisa chorar, sua boba. - disse enquanto pegava a lágrima que escorreu pela sua bochecha. - Como tem sido a escola sem mim?
        - Um horror, não tenho ninguém pra conversar. Mas Sammy, não param de falar de você. - ela falou.
        - Ótimo, agora vou ser a "garota do sequestro" pro resto da minha vida.
        - Também não exagera, né. O Bruno veio me perguntar de você. - Ela fez uma cara que só melhores amigas reconhecem.
        - E o que ele perguntou? - arregalei os olhos.
        - Nada de mais, só se eu tinha notícias. Ele estava preocupado. - ela sorriu. Eu podia entender o lado dele, mesmo ele mal me conhecendo, tinha me salvado de um desastre com pipoca algumas horas antes do sequestro. Seria assustador pra qualquer um. Lembrei do olhar que ele me lançou no cinema, e estremeci. - Ele te ama. - Poppy acrescentou.
        - Não ama não. - retruquei.
        - Ama sim.
        - Não.
        - Sim.
        - Poppy, já não falei pra sair dessa? Tem meninas muito melhores do que eu. - Ela revirou os olhos.
        - Se você continuar se tratando desse jeito não vai conseguir nem o mendigo da esquina. - Revirei os olhos pra zombar dela.
        Um tempo depois, uma enfermeira interrompeu nossa longa conversa e disse que o tempo de visita havia acabado. Me despedi de Poppy e o lugar em que estava foi ocupado pelos meus pais.

2 comentários:

  1. AAAAAAAAAAAAAAH!!!! Cami, preciso dizer que está perfeito?? Sério, ta perfeito! E que bom que você decidiu continuar essa história! :)
    Beijinhos! ;*
    @ClaraVeras

    P.S.: Te amo, Cami! <3

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  2. eeeee! *-* tbm te amo clarinha <3

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